sábado, 18 de março de 2017

De motorhome na África do Sul!!!

Nosso lindinho no camping de Drakensberg, o campeão de preferência!

A viagem de motorhome nasceu antes mesmo da viagem à África do Sul. Ou seja, decidimos primeiro que a viagem seria de motorhome e depois que seria para a África do Sul – o plano inicial era uma viagem de motorhome à Alemanha e Polônia. Ah, mas foi muito especial inaugurar nossas road trips em casas sobre rodas na África.



Era a primeira vez na África, era a primeira vez de motorhome, era a primeira vez na mão inglesa... e já numa viagem de 28 dias. Claro que bateu medo, insegurança, ansiedade monstra, mas a gente seguiu em frente, e deu tudo mega certo. Mais que isso, foi super divertido!!!



O aluguel do Motorhome



Alugamos nosso motorhome na Maui, que é a mesma da Austrália e Nova Zelândia, para 4 pessoas (M4BL) – eramos 2 adultos e 1 criança de 10 anos – e ficou bem confortável. Utilizamos o próprio site da Maui (www.maui.co.za) para solicitar uma cotação e a partir daí toda negociação foi feita por e-mail e com a mesma atendente. Fizemos orçamento em outros sites também, como o Motorhome Republic, Bobo Campers e Camper Hire, mas ou o orçamento era maior, ou não tinha motorhome disponível para as nossas datas. 







Depois da negociação encerrada eles enviaram um formulário para ser preenchido, assinado e enviado. Com a reserva feita foi enviado um link para o pagamento de 25% no cartão de crédito. Na mesma mensagem já vai o link da segunda parcela de 75%, que deve ser paga até duas semanas antes da retirada do veículo. O único problema que tivemos foi que ao tentar efetuar essa segunda parcela apareceu uma mensagem dizendo que não tinha sido processado o pagamento da primeira parcela (oi?) Foi um mega susto, mas bastou um email para nosso contato e tudo foi resolvido.

Retiramos o motorhome no aeroporto, no dia que chegamos, e tudo foi muito tranquilo. O funcionário da empresa nos esperava e nos deu todas as informações necessárias para utilização da nossa casinha. Como retiramos e devolvemos o motorhome em Durban, onde eles não têm escritório (só há escritório em Johanesburgo e Cape Town), nos foi cobrada uma taxa adicional. A devolução também foi muito tranquila, e não nos foi cobrado nada - apesar de ter tido alguns arranhões que são quase impossíveis de evitar numa viagem como essa, principalmente no teto do veículo ao passar por árvores.


Sobre Seguro: Eles têm dois tipos de seguros, o super cover e o standard, e a diferença de valor entre eles é bem grande e proporcional à cobertura. O orçamento padrão sempre inclui o super cover, e é preciso pedir um orçamento com o standard, que foi o que fizemos. Depois de analisar e me informar com viajantes mais experientes, concluímos que não valeria a pena o seguro mais completo, porque se tivéssemos que pagar por pequenas avarias o custo seria menor que a diferença no valor do seguro. Até olhei a possibilidade de fazer o seguro veículo do cartão de crédito, como fizemos no seguro saúde, mas o contrato do seguro era taxativo na não cobertura de motorhome.

O Motorhome



Nosso motorhome era compacto mas bem completo. Tinha duas mesas que viram cama de casal usando os estofados dos bancos e encostos, uma no fundo do veículo um pouco maior, e outra no meio do veículo em frente a cozinha - onde fazíamos as refeições e Leti dormia. Na cozinha tinha frigobar, microondas, fogão de 2 bocas e uma pia pequena. E em todo o motorhome, muitos armários! Isso é ótimo, teve armário que nem conseguimos ocupar! Ah, na cozinha tinha ainda uma torradeira e uma jarra elétrica para água.


Nossa cama à noite é mesa de dia.


Kit de roupa de cama guardada no armário

Parte do kit cozinha - tudo encaixadinho e no lugar certo  

O kit cozinha e roupa de cama já vem incluso e não discriminado no valor do aluguel, e eu achei que valeu a pena. No kit cozinha vinha 2 panelas com tampa, uma frigideira, um escorredor de massa, 3 potes plásticos de tamanhos diferentes, e como o motorhome era para 4 pessoas, havia 4 pratos rasos, 4 fundos, 4 pires, 4 xícaras, 4 copos, 4 taças e 4 talheres, além de colheres, facas grandes e saca-rolha - só senti falta de um ralador. No kit de cada cama tinha: um edredom casal, um lençol casal, e dois travesseiros com fronha, além de duas toalhas de banho.

A mini pia da cozinha e sua tampa, para proteger tudo dos sacolejos do motorhome
As tomadas da África do Sul são bem diferentes das nossas, com três pinos grossos, mas no motorhome tinha também tomadas de três pinos finos, que serviam perfeitamente nos nossos equipamentos de dois pinos. No balcão da cozinha havia tomadas como na foto abaixo, na de pinos grossos usávamos a torradeira e a jarra elétrica sul-africanas, e na de pino fino um T levado do Brasil para carregar celulares e máquinas fotográficas. Debaixo de ambas as camas havia ainda tomadas de pino fino, então não passamos aperto quanto a isso. O que achei muito legal foi o uso desses interruptores em cada tomada, que libera ou trava a passagem de eletricidade. Para quem viaja com criança é uma segurança a mais.

fonte da imagem: site www.alibaba.com
É importante lembrar que as tomadas só funcionam com o motorhome plugado à eletricidade (há um fio longo - uns 20 metros - no motorhome que deve ser plugado ao motorhome e à fonte de energia nos campings), assim como o ar-condicionado e o microondas. As luzes funcionam sem ele estar plugado enquanto durar a bateria.

Thiago plugando o motorhome à eletricidade no camping do Karoo.

A entrada USB do cinzeiro também era ótima para carregar celulares e máquinas fotográficas com o carro em movimento ou parado. Compramos uma entrada com 2 USBs mas nem usamos porque já tinha um assim plugado no cinzeiro do motorhome. Não sei se de um outro turista que esqueceu ou da própria Maui.


O banheiro é pequeno, mas quebra um super galho. Além do vaso sanitário, tinha uma pia e a torneira dela virava uma ducha para banho. Quebrar um galho é a melhor definição, porque não dá muito para tomar um banho de verdade, lavando cabelo por exemplo, isso eu deixava para os campings. O uso do sanitário desperta muita curiosidade e por isso vou tentar explicar melhor - mas na verdade é bastante simples. Vi vídeos de motorhomes alugados em outros países, onde se esvazia os dejetos do sanitário com uma espécie de mangueira, por gravidade. Lá o modelo utilizado é de cassete, que é um recipiente plástico que é encaixado pelo lado de fora do veículo, de forma que a abertura do cassete fique encaixada no buraco do vaso sanitário e todo dejeto que caia nele vá para o cassete. Depois do cassete encaixado, toda vez que se utiliza o vaso sanitário é preciso liberar a tampa no fundo do sanitário (que é a tampa do cassete) usando um pequeno dispositivo na parte externa do vaso. Concluído o "serviço", basta jogar um pouco de água com uma válvula que tem ao lado - não é para dar descarga, porque seja lá o que você fez já foi direto para o cassete por gravidade, é apenas para limpar o vaso - e fechar novamente a tampa. 

As fotos estão mega toscas, mas acho que ajuda a ter uma ideia...



É importante lembrar de fechar a tampa, ou o banheiro ficará com mal cheiro. Mas para evitar mesmo cheiro ruim é preciso o uso de um produto químico. Quando retiramos o motorhome nos foi entregue um frasco daqueles produtos azuis (de banheiro químico, bem forte) que daria para umas 3 aplicações, e depois deveríamos comprar mais. Acontece que não conseguimos encontrar dele em nenhum supermercado que fomos, e não encontramos lojas especializadas (nem quisemos perder muito tempo procurando). Mas Thiago teve a ideia de usar aquelas pastilhas que são bem comuns aqui no Brasil, que se joga dentro da caixa de descarga e deixa a água azul, e simplesmente jogar dentro do cassete, e deu super certo. Só tivemos mal cheiro um dia que esquecemos a tampa aberta. A cada dois ou três dias, dependendo do uso, se esvazia o cassete, o que também é muito simples: retira o cassete pelo lado de fora do veículo e puxando e destampando um pequeno cano, esvazia no lugar apropriado nos campings, que nada mais é que um vaso sanitário específico para isso com uma mangueira ao lado para lavar o cassete. Não se preocupe, tudo será explicado no momento da retirada - não guarde dúvidas, pergunte tudo.

Thiago abastecendo o reservatório de água do motorhome no camping de Graskop.
Existem dois compartimentos de água no motorhome, um menor para o "jatinho do sanitário" e outro maior para as pias do banheiro e cozinha. Para enche-los basta usar a mangueira de água que tem no motorhome em qualquer torneira. Tanto as entradas de água, quanto o plug de eletricidade e o cassete do sanitário são acessados por portinholas fechadas com chave na lateral direita do motorhome. Suas chaves, junto com a dos dois porta malas, são entregues num chaveiro com a chave da ignição no momento da retirada. Sobre os porta malas, eles ficam no fundo do veículo, cada um de um lado, e não são grandes - não couberam nossa mala. É lá que ficam as cadeiras, o fio de eletricidade, a mangueira de água, e onde guardávamos os garrafões de 10 litros de água mineral que comprávamos.

A rotina no motorhome

fonte: www.maui.co.za
Isso era uma coisa que me preocupava bastante. Primeiro porque eram muitos dias para uma primeira vez e não sabia se nos adaptaríamos a tão pouco espaço e tanta convivência (embora já estivéssemos acostumados a viagens longas juntos), segundo porque Leti já tem 10 anos, e está ficando menos paciente com estrada e rotinas, e terceiro porque não somos exatamente uma família organizada... Mas olha, seguimos umas regrinhas básicas e deu tudo tão certo que só pensamos em outras viagens assim.

Durante o dia, a mesa do fundo que era nossa cama à noite, servia para estender toalhas úmidas e guardar a mala.
Na primeira noite sentei todos juntos com papel e caneta e anotamos os combinados do motorhome. Todos puderam opinar sobre os combinados e aquelas viraram as nossas regras de convivência, que quando preciso relembrávamos. Coisas simples mas importantes, como arrumar e guardar a roupa de cama imediatamente ao levantar - não dá para ficar toda hora lavando lençol e muito menos edredon, então nem pensar em comer nada sem as camas desfeitas. Usar o banheiro do motorhome o mínimo possível, preferindo sempre os banheiros dos campings - número 2 então, só em casos extremos. Lavar louça também preferencialmente nos campings, que sempre tinham uma estrutura bem legal para isso - além de ser mais confortável, evitava molhação no motorhome e economizava nossa água. Travar todas as portas de armários após seu uso - todas as portas do motorhome possuem travas, e é importante usá-las para evitar acidentes durante os percursos. Guardar as coisas nos armários certos - que foram definidos desde o primeiro dia, na desarrumação da mala e primeira compra de mercado... enfim, facilitava muito saber onde por e procurar cada coisa, como nas nossas casas.

Numa tarde chuvosa no Tsitsikamma National Park - na taça de Leti, suco de maçã.
Não tem regra pra isso, quero apenas alertar da necessidade de estabelecer uma rotina desde o início, que facilite as coisas mas não engesse nada. Porque vai ter aquele dia de ter que tirar areia de praia e ninguém vai deixar de entrar no mar porque não tem um banheiro externo para tomar banho, ou aquele dia que não se vai dormir em camping, ou que está frio ou escuro demais para levar as louças para o Ablution. Enfim, o motorhome tem facilidades para serem usadas, mas usá-las com racionalidade facilita bastante a convivência nele.

Estradas e pedágios


No geral as estradas sul-africanas eram muito boas! Próximo às grandes cidades, então, eram perfeitas. E mesmo nas regiões mais esmas não tivemos problemas, como nas estradas do Great Karoo, que pegamos entre o Karoo National Parque e Johanesburgo, com longas retas e quilômetros sem casas ou pessoas. Fomos alertados sobre as estradas de acesso às praias ao norte de Porto Elizabeth, e preferimos fugir delas, já que vínhamos de Drakensberg e não teríamos tempo para conhecer mais que algumas praias da Garden Route.

Retas intermináveis no Great Karoo
Para dizer que não tivemos problemas, enumero dois, ambos no norte do país. O primeiro, na região das montanhas de Drakensberg, são as topics ou vans que fazem transporte entre as cidades. Elas são velozes e bastante imprudentes, e os únicos acidentes que vimos na viagem tinham elas envolvidas. O outro é algo bom para o turismo no país, mas nos atrapalhou um pouco: os Go/Stop nas regiões ao sul de Johanesburgo por obras de duplicação de pistas e viadutos na estrada, que vai melhor o tráfego no futuro, mas agora atrasa as viagens. 


Sobre pedágios, há várias rodovias pedagiadas, mas chegamos a rodar dias inteiros sem pedágios. Foram 10 pedágios (espero ter contado direito), a maioria no norte do país, com valor entre 9,50 rands (próximo a Durban) e 78 rands (na N4 - Machado Plaza - proximidades da rota panorâmica) - em 28 dias e mais de 7 mil km.


Polícia Rodoviária e Propinas

Durante toda a viagem fomos parados 2 vezes pela polícia rodoviária, a poucos quilômetros entre um e outro, na região sul de Mthatha - Cabo Oriental. Nas duas vezes a conversa foi a mesma: pediram os documentos, olharam a PID (permissão internacional para dirigir) de Thiago, conferiram o adesivo do lado esquerdo do para-brisa do motorhome com as informações do veículo e diziam que Thiago não tinha permissão para dirigi-lo. E eles estavam certos! É que a PID categoria B (que tem exatamente as mesmas regras da nossa habilitação nacional), autoriza a direção de veículos de até 3.500kg e o adesivo do motorhome informa que este pesa 3.550kg - 50kg a mais, o que chega a ser ridículo, mas extrapola o limite permitido. Da primeira vez quase desmaiamos de susto, como assim? Tínhamos enviado toda nossa documentação com antecedência para a locadora do motorhome, confirmamos que a categoria B permitia a direção do motorhome, e nada nos foi dito em momento algum. Mas aí começamos a perceber o movimento estranho do policial, que chamou Thiago para o canto e ficou conversando mole, perguntando de onde éramos, para onde íamos... até que perguntou qual era a moeda do Brasil e pediu para ver uma cédula, que queria mostrar aos filhos... Thiago disse que estava sem nenhuma cédula de real ali (o que era verdade) e ele nos liberou. 

Hippo e Rhino, nossos mascotes, e o adesivo com informações do motorhome no para-brisa
O segundo seguiu exatamente o mesmo processo, mas Thiago me avisou e eu peguei dentro da mala uma cédula de 20 reais. Propina paga, ele nos liberou. Ficamos P da vida, e logo que chegamos a Cape Town fomos ao escritório da Maui ver um problema na eletricidade (apenas um interruptor que estava desarmando com o sacolejo do veículo, e eles nos explicaram como proceder caso acontecesse novamente) e falar sobre os ocorridos. Eles nos disseram que a PID permitia sim a direção do motorhome, e que se acontecesse novamente não pagássemos nada, e deixássemos que efetuassem a multa, pois a Maui recorreria na justiça e ganharia. Bom, não fomos mais parados, nem com, nem sem pagamento de propina, mas permanecemos tensos - afinal de contas, pela documentação havia sim uma infração. Fica o aviso para quem for locar motorhome lá, já questionar a locadora sobre isso!!!

A mão inglesa


Como já disse no primeiro post, dirigir na mão inglesa é mesmo bem diferente, mas o nosso cérebro se adapta a esse diferente muito rapidamente. Em três dias Thiago já estava mais relaxando e curtindo as estradas sul-africanas. É cheio de regras na internet sobre direção inglesa, mas as que acho mais importantes são:

- tudo ficará invertido, o volante do lado direito do carro, as marchas do lado esquerdo do motorista, os carros do lado esquerdo da pista - mas os pedais continuam iguaizinhos!


- sendo assim, ao virar para fazer uma conversão à esquerda, você continuará do mesmo lado e não precisará cruzar a pista, e se virar à direita terá que cruzar a pista. É bem estranho no início, e a sensação de que está na contramão ficará por um bom tempo, mas acredite, mesmo sendo estranho, se você tiver atenção fará tudo certinho.

- para não se atrapalhar e jogar o carro muito para a esquerda (o que é normal para quem não está acostumado a ter carros na direção contrária à sua direita) oriente-se sempre pela faixa central. Mire nela e alinhe o motorhome à esquerda da faixa. Se ele estiver alinhado assim à faixa central não terá risco de bater em nada à sua esquerda ou subir em calçadas.

- em rotatórias (balões) é preciso mais atenção, mas basta manter a calma e lembrar que tudo se inverte, e você irá entrar e contornar tudo da esquerda para a direita, e também sairá à esquerda da via.

- cruzamentos de grandes avenidas também requerem atenção extra, principalmente porque na África do Sul eles não costumam ter semáforos separados para quem, numa mesma faixa, vai seguir ou fazer conversão. Logo, quando o sinal abre para a sua faixa e você vai converter à direita, provavelmente também estará liberado o fluxo dos carros que vêm na direção contrária... pois é, se imaginarmos isso no Brasil é batida certa, mas lá eles têm um respeito pela ordem de quem parou/chegou primeiro ao semáforo e na sua vez vão simplesmente parar para você passar. Sei lá como eles conseguem, mas eles se entendem, e nem batemos, nem deixamos de fazer uma conversão mesmo nos horários de rush.


De resto, você vai tentar entrar pela porta errada, vai bater a mão na porta tentando passar a marcha, e (pelos menos aconteceu com Thiago) lá pelo quinto dia sentirá dor na mão esquerda por não estar acostumado a usá-la para passar marchas por horas, mas se for um motorista prudente e atento, não terá maiores problemas. Aliás, acho que o maior "problema" que tivemos foi no segundo dia, quando saímos do camping cedinho e pegamos algumas centenas de metros sem outros carros, e automaticamente Thiago pegou a faixa da direita... a sorte é que o primeiro carro que cruzamos foi numa reta e não numa curva. Foi um bom susto para nos deixar mais atentos, e sim, nas primeiras frações de segundos pensamos que era o outro carro quem estava na contramão kkkk

Campings


O nosso plano inicial era ficar algumas noites em camping, principalmente nos parques nacionais, e a maior parte fazendo free camping em postos de gasolina onde pernoitam caminhoneiros, como nos informaram ser seguro fazer. Mas logo no início Thiago ficou bem inseguro de não dormir em camping, preocupado por não poder ligar ar-condicionado e microondas, e com a segurança. Tentei mudar sua ideia, mas como eram muitas "primeiras vezes", achei melhor concordar com ele.

Café da manhã no parque Mlilwane na Suazilândia
Mas, como geralmente acontece, a vida nos armou uma surpresa, e já no último quarto da viagem, no caminho para Sabie (entrada da Rota Panorâmica), anoiteceu e antes que chegássemos ao camping escolhido pegamos um mega fog! A visibilidade ficou mínima, o que aparentemente é bastante comum na região, e resolvemos parar em um posto de gasolina para abastecer e tentar dormir. Aí vimos como, tomados certos cuidados, fazer free camping assim pode ser tranquilo. A noite estava fria (como a esmagadora maioria das noites que tivemos no verão sul-africano - acho que ligamos o ar-condicionado em 3 das 28 noites) e jantamos sanduíches. Bom, foi a única noite de free-camping, porque dali pra frente ficamos em parques nacionais para fazer safaris, mas valeu muito como experiência.


Nós não fizemos reserva em nenhum camping, em todos eles apenas chegamos e questionamos a disponibilidade, e conseguimos ficar em todos - só é preciso atenção para os horários dos parques nacionais, que têm horário para abrir e fechar a portaria. Utilizamos o app CaravanPark (busque Camping South Africa no celular e veja www.caravanparks.com) que é específico da África do Sul. Fazíamos assim: lá pelo meio do dia íamos vendo onde poderíamos dormir, consultando o trajeto no maps e esse app, e se percebíamos que não daria para chegar ao destino, escolhíamos outro camping no trajeto. Nunca deu errado! Era olhar as opções no app, ver o que ofereciam, avaliações, média de preço, escolher e procurá-lo no gps - também no celular (maps.me que é offline ou o google maps mesmo).

O país todo tem ótimos campings, mas topamos com alguns nem tanto. Em relação a custo, o mais barato cobrou 140 rands a diária - um camping bem decadente em Kimberley, embora não tenha sido o pior - e o mais caro 325 rands, em Knysna - que está entre os mais legais da viagem. De qualquer forma, em todos conseguimos segurança, água e eletricidade, banheiros limpos e churrasqueiras. É incrível o amor que os sul-africanos têm por churrasco, incrível mesmo. Na esmagadora maioria dos campings havia uma churrasqueira para cada vaga, e em muitos, além dessas individuais, haviam outras comunitárias. Em alguns chegava a ser engraçado, porque tinha churrasqueira nas vagas, no parquinho, na piscina, na área de piquenique, nas quadras... onde desse vontade de fazer churrasco tinha uma churrasqueira perto.


Como disse, ficamos em campings de todo tipo. O pior de todos foi em Humansdorp, perto de Jeffeys Bay, porque estava escurecendo, Thiago estava muito cansado e ficamos com medo de não conseguirmos chegar ao Tsitsikamma com luz, então, passando numa avenida vimos um camping com uma entradinha bem arrumada e resolvemos parar ali. Acontece que o camping estava falido e meio abandonado, o segurança tomou o maior susto quando nos viu. Ele já foi um camping bem legal, mas está totalmente decadente. Bom, só fizemos dormir, usamos o banheiro que por incrível que pareça estava "usável" e nos plugamos à eletricidade. No dia seguinte cedinho seguimos para Tsitsikamma.

Os melhores tinham piscina, cozinha e lavanderia, banheira, parquinho, quadras. E os melhores dos melhores tinham vistas espetaculares. Para mim, o melhor de todos foi sem dúvidas o de Drakensberg, o Amphitheatre Backpackers Lodge (www.amphibackpackers.com - 190 rands). O lugar é lindo, lindo, lindo! Um gramado maravilhoso de frente para a cadeia de montanhas de Drakensberg, banheiros amplos e limpos, e a melhor cozinha da viagem. O lugar não é tão child friendly, e é mais voltado para a juventude, com um bar/boate bem animado, mas não tivemos qualquer problema, nem com barulho, nem outros incômodos.

Olha essa cozinha!!! Ah, lá em casa...
(Sim, sou dessas que piram com uma boa bancada de cozinha)
As churrasqueiras e as mesas ficavam debaixo de um parreiral - cheio de uvas

Nascer do sol em Drakensberg
Outros campings maravilhosos foram:

Woodbourne Resort (www.woodbourneknysna.com - 325 rands), em Knysna, que tinha piscina, cama elástica e parquinho, além de um gramado ótimo, e uma vista linda da lagoa de Knysna. Além disso, o atendimento da proprietária foi excelente. 


Lagoa de Knysna, vista diretamente do camping.
Panaroma Rest Camp (www.panoramaviewchalets.co.za - 240 rands), em Graskop, que tem uma estrutura bem legal e vistas absurdamente linda dos canyons da Rota Panorâmica, além de ficar muito próximo do centro de Graskop.

Olha o que é essa piscina do camping de Graskop!!!


ALDAM Holiday Resort (www.aldamestate.co.za - 250 rands), entre Kimberley e Soweto, numa reserva que se acessa na rodovia N1. A estrutura dele é provavelmente a melhor que vimos, com piscinas, toboágua, parquinho infantil, quadras esportivas, esportes aquáticos, campo de mini-golf e muuuuitas churrasqueiras. Mas além, por estar numa reserva com uma represa enorme, a natureza é exuberante, e tivemos vistas lindas, e como estávamos quase sozinhos lá, flagras ótimos de animais.

Por do sol no ALDAM

Flagra de um tecelão tecendo seu ninho logo na entrada do camping
Até hoje não sabemos que bichinho é esse, mas ele era fofo e ficava rondando o motorhome  

Weaver's Roost Resort (www.weaversroost.co.za - 270 rands), próximo de Maropeng. A principal atração deles é uma piscina enorme e um tobogã, além da área para churrascos. Mas o espaço todo é muito agradável e cheio de verde, e o atendimento excelente. A proprietária se prontificou a preparar a piscina aquecida e o toboágua para Leti, mas estava muito frio e tínhamos presa. Ah, e o cuidado com os detalhes me chamou a atenção, como os quadrinhos no banheiro, e o trocador para bebês.





Todos os cinco campings que coloquei aqui têm também opções de hospedagem em chalets ou quartos. Eles eram ótimos, mas preciso dizer que aproveitamos muito pouco das estruturas que ofereciam, e muito mais dos visuais e do contato com a natureza, e isso diz muito sobre o nosso perfil de viajantes (basta observar que o meu preferido nem de longe tinha a melhor estrutura). Então, se você está fazendo uma viagem mais slow travel, ou prefere mesmo parar para curtir as estruturas das hospedagens, aproveite as opções acima, são ótimas. Mas se você está numa viagem mais rápida, ou simplesmente nem cogita deixar de visitar uma atração para ficar parado em um camping, talvez seja melhor buscar outras opções, ou o free camping em postos de gasolina com vigilância. A vantagem desses aí é que mesmo que não consiga usar o toboágua ou a piscina aquecida, as vistas certamente valerão a pena.

Ah, pra terminar queria falar dos parques nacionais, onde fizemos os safaris. Os campsites deles são mais rústicos, mas é uma experiência imperdível. Os da Suazilândia roubaram meu coração!

Karoo National Park
Lower Sabie Rest Camp no Kruger National Park
Restaurante do Hlane National Park na Suazilândia
Mlilwane Wildlife Sanctuary na Suazilândia
Foram 28 dias especialíssimos, numa aventura que eu recomendo para qualquer família. A minha devolveu o motorhome feliz por tudo que viveu, mas já querendo mais...

3 comentários:

Fran disse...

Adorei o post! Super completo! Perfeito para tirar todas as duvidas e curiosidades!!!

Mi disse...

Que bom que você gostou, Fran! Ainda tenho muito para escrever sobre essa e outras viagens.
Bjs
Mirtes Aquino

Aline disse...

Oi, Mirtes!

Vamos viajar em fev/18 de motorhome tbm, assim como fizeram. Adorei o roteiro. Vamos nos inspirar nele.
Tenho uma dúvida (por enquanto rs): o valor da gasolina é parecido com o nosso? Qual a capacidade do tanque do motorhome? Ou qto ele roda?

Obrigada.

Bjs.