sábado, 1 de abril de 2017

África do Sul - O Roteiro



Montar roteiro de viagem para mim é sempre algo empolgante e angustiante! Empolgante porque é aí que já começo a viver a viagem, imaginando tudo que veremos e viveremos, me encantando com cada descoberta de região a visitar e passeio a fazer. Angustiante porque o tempo e o bolso são dois carrascos implacáveis que sempre acabam me forçando a cortar coisas que considero imperdíveis... pfffff


Mas em algumas viagens, a empolgação e a angústia são ainda maiores, como na África do Sul. As opções são muitas, muuuuitas mesmo. Montanhas? Praias? Cidades Cosmopolitas? Cavernas? Tribos tradicionais? Points badalados? Surf? Esportes radicais? Descobertas arqueológicas? Animais selvagens? Escolha se quer terrestres ou aquáticos! Fiquei imaginando um estrangeiro montando um roteiro de viagem pro Brasil, ou  mesmo para uma região do Brasil... Dá angústia só de pensar! Comecei então pelo que tinha certo: 29 dias para rodar a África do Sul, e o que mais desse, em um motorhome. Tomando pé das coisas comecei a imaginar um roteiro abrangendo os países próximos, e além do Lesotho, que está encravado na África do Sul, impossível não pensar nas tribos da Suazilândia, nas praias de Moçambique e nos desertos da Namíbia! Ahhh, quanta ilusão! Precisaria de pelo menos o dobro de dias para conseguir cruzar o deserto e chegar ao maravilhoso Etosha National Park na Namíbia, ou chegar à ilha de Moçambique e praias do norte do país. Ou teria que abrir mão de conhecer a África do Sul, o que não fazia o menor sentido.
Sendo assim, resolvemos nos concentrar num roteiro sul-africano, e tentar incorporar Suazilândia e Lesotho como fosse possível. E mesmo assim foi difícil! Ficou corrido e deixamos de ver coisas, mas isso é muito pela nossa característica de viajante que gosta de dissecar os destinos, sabe? Ver tudo direitinho. Pesquisando opções e atrações em blogs e no guia do Lonely Planet, elegendo as nossas prioridades e levando tudo para o google maps para estudar distâncias e rotas, vi que daria para fazer um roteiro (quase) circular, saindo e chegando por Durban (nossa porta de entrada e saída do país), e passando pelos nossos principais pontos de interesse. No final das contas, deu para ver tudo, ou quase tudo. Fizemos trilhas entre as montanhas, visitamos praias lindas, fizemos algumas atividades mais radicais, visitamos sítios arquelógicos e cavernas, passamos por cidades cosmopolitas, cidadezinhas interioranas, tribos tradicionais e paisagens de cair o queixo, fomos a museus sobre a evolução humana, a história da África e o Aparthaid, e fizemos safaris maravilhosos. O que realmente teve que ficar de fora foi o Lesotho - infelizmente. Não havia tempo de cruzar as montanhas que isolam o país, mas descobrimos um passeio de 1 dia que poderia ser feito com o camping que ficamos em Drakensberg (região fronteiriça com o Lesotho), mas constatamos que os custos com vistos para lá seriam muito altos, e para nós não justificava em um passeio de um dia apenas. Acredito que a visita a esse pequenino, pobre e rústico país seja interessantíssima, mas... quem sabe numa próxima?

O roteiro que fizemos foi esse aí. Claro que o roteiro planejado e o executado não são iguais! Mudamos coisas no caminho, por contratempos, por oportunidades e por escolha - coisas que são impossíveis de prever antes de "estar lá". Teve coisa que ficou de fora, mas nada que fosse realmente imprescindível. E uma road trip, ainda mais de motorhome, é o ideal para uma viagem assim.


Quando comecei a programar viagens longas, havia muita ansiedade minha em deixar tudo milimetricamente decidido, porque havia muita ansiedade em que tudo fosse "perfeito", que fosse garantido que faríamos os melhores passeios, tivéssemos as melhores experiências, tudo ao máximo! O tempo foi passando, as viagens também, e eu fui percebendo que tanta ansiedade era uma bobagem! Assim como na vida, a perfeição é algo relativo, e impossível de ser garantida. Por isso comecei a relaxar nos roteiros, ou melhor, na minha expectativa sobre os roteiros.

O museu interativo sobre a evolução humana de Maropeng foi uma descoberta fantástica que não estava no roteiro!

Porque é claro que faço um roteiro prévio, e leio e estudo bastante sobre o destino - como disse lá em cima, faz parte da curtição para mim, é quando já começo a viver a viagem. Mas ficar amarradinha demais ao roteiro geralmente só gera frustração e ansiedade, e caramba, uma viagem de férias não deve ser uma fonte de nenhuma dessas duas coisas, né? Ainda sou mais estressadinha que o marido, que é o rei do "deixa rolar", mas definitivamente eu mudei meu modo de ver os roteiros de viagem, e isso fez um bem enorme às nossas viagens. A da África do Sul, em especial, foi a mais relaxada quanto a roteiro, onde ficamos mais a vontade para tirar ou incluir algo, porque sem nenhuma reserva prévia, éramos nós realmente os donos dos nossos destinos - e foi fantástico! Queremos repetir essa sensação muitas vezes!



Para terminar, quero contar algo que aconteceu já nos últimos dias da viagem, um dia depois de passar bem perto da fronteira com Moçambique, a caminho da Suazilândia. Perguntei ao marido e à filha o que eles fariam se ganhássemos mais 10 dias de viagem. Ficamos eu e Thiago definindo que passaríamos mais uns dias em Knysna, em Drakensberg, nas cidades maiores para visitar com mais calma os museus, e no Kruger para visitar o norte do parque. A pequena, que não estava prestando muita atenção na conversa, de repente pára para nos ouvir e diz: "oxe, com mais 10 dias de viagem? Eu ia conhecer Moçambique!!!". Pois é, criamos um monstro!

Nenhum comentário: