segunda-feira, 29 de maio de 2017

Pelas montanhas de Drakensberg - África do Sul


Drakensberg foi descoberta por mim meio por acaso, nas minhas buscas em blogs de viagem pela África do Sul - não lembro mais qual foi o blog, mas serei eternamente grata a ele. Sabe aqueles lugares privilegiados da terra, que parecem meio encantados? 





Me lembrou a Chapada Diamantina aqui na Bahia, e eu fiquei apaixonada de cara, e embora fosse meio "fora de rota" pra gente, tratei de encaixá-lo no roteiro.





Drakensberg é uma cordilheira que se estende por mais de 1.000km, e em alguns pontos divide a África do Sul do Lesotho (pequeno país totalmente encravado em terras sul-africanas). Seu nome na língua zulu significa "barreira de lanças" e esse é mesmo um nome bem apropriado. O paredão de montanhas impressiona, e no meio dele, o Amphitheatre, um platô de 5km de extensão, é mesmo o cartão postal da região - lindo, lindo, lindo!



Esse foi nosso primeiro destino da road trip, vindos de Durban, que foi a cidade por onde chegamos ao país e onde pegamos o motorhome - e isso acabou atrapalhando um pouco. É que o plano inicial era pegar o motorhome à tarde (logo que desembarcássemos), dormir essa primeira noite em um camping na saída da cidade, e no dia seguinte seguir para Drakensberg. Mas Thiago ficou muito receoso de já pegar estrada no primeiro dia, e pediu para ficarmos esse dia todo em Durban, o que foi prudente, mas deixou as coisas meio atrapalhadas, principalmente porque chovia horrores na cidade. Então, começamos o roteiro já com o atraso de 1 dia.
Estrada entre Durban e Drakensberg

Durban é mesmo a "cidade grande" mais próxima do Parque Nacional de Drakensberg, e é um bom ponto de partida para lá. A estrada é muito boa e bem sinalizada. Foi na região que começamos a ver os primeiros sinais das comunidades antigas africanas, em especial as casas redondas, que são bastante comuns também no Lesotho.


O camping de Drakensberg, que na nossa opinião foi o melhor da viagem, foi o único que já estava definido antes de sair do Brasil (por indicações e fotos que vi na internet), embora não estivesse reservado. O motivo da escolha é certamente o mesmo que nos faz colocá-lo como o melhor: a vista maravilhosa que ele tem para a cadeia de montanhas de Drakensberg. O Amphitheatre Backpacker Lodge tem acomodações no estilo albergue, chalés, e no fundo um gramado enorme para camping, com pontos de eletricidade, cozinha, churrasqueira e banheiros coletivos. Mas o melhor é o que está na frente do gramado: a cadeia de montanhas, com o Amphitheatre e tudo!



Chegamos no início da tarde, e ficar no camping já foi a programação do dia! O lugar é lindo, e tem uma magia incrível. O por do sol foi maravilhoso, apesar de estar nublado e não conseguirmos neste dia ver o Amphitheatre.


Outra coisa que adoramos no camping foram as áreas comuns, em especial a cozinha e as churrasqueiras. Gostamos muito de cozinhar, e Thiago é churrasqueiro assumido. Quando vimos aquela cozinha enorme e aberta, tendo ao lado um parreiral repleto de uvas que ficava acima das churrasqueiras, o tamanho das bancadas, os fogões industriais e freezers, e todo o aparato de panelas e utensílios de cozinha, ficamos encantados. Até o feijão que a filha pediu fiz lá - e ainda em panela de ferro! (simmmm, sou dessas).


Cozinhar fica ainda melhor se você tem a melhor ajudante do mundo!!!


O camping não é muito child friendly, sendo mais voltado para o público jovem, com um bar/restaurante e piscina super animados. O clima do lugar é encantador, e o atendimento é excelente. E apesar da animação no bar, não tivemos incômodo.


Trilhando entre as montanhas

Sem dúvidas, o que mais me atraiu em Drakensberg foram as possibilidades de trilha. Adoramos esse contato tão próximo com a natureza, e sempre que podemos incluir trilhas nas viagens fazemos isso. E em Drakensberg tem trilha para todo gosto. Algumas partem do próprio camping, mas são bem mais longas. Por orientação do pessoal do camping acessamos de carro a área do parque nacional e então escolhemos a trilha que queríamos fazer. Aliás, preciso dizer que os campings que ficam dentro do parque nacional são excelentes opções de hospedagem, com a grande vantagem de não se perder tempo de chegar lá. Mas não me arrependo da escolha que fizemos, porque a vista que se tem do Amphitheatre Backpacker, ou seja, "de longe", não se pode ter de dentro do parque.




No parque nacional, a primeira parada deve ser o centro de visitantes, onde você vai ter acesso ao mapa das trilhas e receber todas as informações necessárias - tem ainda uma lojinha bem legal e banheiros. Sem dúvida, a trilha que queríamos fazer era a que levava ao Amphitheatre, mas ela é longa e pesada demais para Letícia - teremos que esperar um pouco mais para encara-la. Assim, escolhemos a trilha da Tiger Falls, que é uma trilha circular linda, de 6km e que geralmente é percorrida em 2:30h.

Tentando me recompor na milionésima parada...

Geralmente, mas já sabíamos que provavelmente faríamos em 3h, por estarmos com uma criança (que está acostumada com trilhas, mas bem, ainda é uma criança). Mas o improvável às vezes nos acompanha, e é preciso estar tranquilo em relação a ele. O fato é que com cerca de 15min de trilha esta que vos escreve teve uma crise estomacal (vulgo piriri) que quase botou todo o passeio a perder. Só quem já teve piriri no meio de uma trilha sabe do que estou falando! Não sabia se voltava, se seguia, se chorava... eu sentava a cada 10 passos e a pressão despencava o tempo todo. Bom, mas tudo ficou bem (porque sou uma mulher prevenida e levei para a trilha papel higiênico, lenço umedecido e álcool gel) depois de vários e angustiantes minutos, e simmmm, conseguimos concluir a trilha. Na metade do caminho eu melhorei de verdade e aí tudo ficou lindo.

E quando eu digo lindo, é lindo messssmo! Nem vou falar, só veja as fotos.








Pássaro lindo que vimos aos montes no norte, mas só conseguimos fotografar na trilha de Drakensberg


Outra coisa que me atraia muito à região de Drakensberg era a possibilidade de uma visita ao Lesotho, mas, como já disse em outro post, não havia tempo para cruzar de motorhome as montanhas que isolam o país, e os custos com vistos para lá era um impeditivo. Mas há um passeio de 1 dia que o camping que ficamos organiza, e pode ser uma ótima opção para quem estiver disposto a pagar pelo visto para ficar apenas 1 dia. De qualquer forma, a região já é bem próxima do país vizinho, e vimos algumas coisas que li sobre o Lesotho, como as casas circulares (as rondavels) e o artesanato em barro.


Aliás, foi lá que encontramos alguns meninos vendendo animais africanos feitos por eles em barro, como é tradição as crianças africanas fazerem - são os brinquedos que eles próprios fazem, e na biografia de Mandela há registros disso na sua infância. Foi assim que compramos Rhino e Hippo, nossos mascotes que nos acompanharam pelo resto da viagem - pena que eles não resistiram a viagem de retorno ao Brasil.

Hippo e Rhino, nossos queridos mascotes!

Uma coisa importante de saber sobre Drakensberg é que seu clima é bastante imprevisível, e pode mudar muito rápido - para o bem e para o mal de quem o visita. O Amphitheatre mesmo ficou encoberto de nuvens e cerração a maior parte do tempo que ficamos lá, e chegamos a pensar que não conseguiríamos vê-lo. No dia da trilha o tempo estava bem instável, com muito risco de chuva, mas não só não choveu como o céu azul abriu e conseguimos vê-lo de vários ângulos quando concluímos a trilha! Aliás, essa é uma boa notícia: é possível ver o lindão de vários pontos!


Queríamos muito ter visitado também o Bushmen Cave Museum, um sitio de pintura rupestre que está entre os mais famosos do país, mas o tal piriri nos fez concluir a trilha em mais de 5 horas, e não deu tempo de ir. Aliás, um alerta importante principalmente para quem vai no verão como nós: o sol só se põe depois das 20h, mas os horários de encerramento de quase tudo (de atração turística ao comércio local) é cedo e mega rigoroso. Entre 16h e 17h muita coisa fecha, mesmo com o sol brilhando forte.

2 comentários:

Marcela disse...

Oi Mirtes!!

Adorei todos os posts, se eu ainda precisava de algum motivo pra voltar pra Africa do Sul agora não preciso mais!!

:)

Já to seguindo seu blog!

Beijo!

Marcela (@tripsandroadtrips)

Mi disse...

Que bom, Marcela! A África do Sul é um destino realmente maravilhoso, muito diverso, encantador. Vai ser muito bom ter sua companhia aqui.
bjs,
Mirtes Aquino