terça-feira, 8 de agosto de 2017

Miniférias no Rio de Janeiro - As belezas de Paraty


Essas foram férias curtinhas e deliciosas! Já falei sobre os quatro dias que passamos na cidade do Rio, e os quatro dias seguintes que passamos na serra fluminense (entre Petrópolis e Teresópolis). Agora venho falar sobre os três últimos dias dessa viagem, quando saímos de Petrópolis para Paraty, que foi uma forma maravilhosa de encerrar nossas férias.

Quando comecei a planejar essa viagem, pesquisando opções de passeios nas duas regiões, e considerando que teríamos apenas 7 dias para elas, decidi ficar 3 dias em Petrópolis/Teresópolis e 4 dias em Paraty, que tem mais opções de passeios que nos interessa. Mas, como contei no post sobre a serra, tive que mudar os planos por conta da festa do Colono Alemão de Petrópolis e porque queríamos ver o espetáculo Luz e Som no Museu Imperial.

No fim das contas tenho a declarar que: três dias seria pouco para qualquer das regiões! Na verdade, quatro também, mas enfim, era o que tínhamos. O interessante é que sinto que Petrópolis foi devidamente explorada, apesar do tanto de coisas que não conseguimos fazer. Paraty não. Sinto que preciso voltar lá e fazer o que faltou.
 

Bom, é preciso ainda dizer que não foram 3 dias em Paraty, porque o primeiro dia foi em boa parte gasto com a saída do chalé e a estrada até Paraty. No final, foram dois dias inteiros em Paraty e o fim de tarde e noite do primeiro dia. Foi intensamente curtido, mas foi muito, muito pouco tempo. Vamos mesmo ter que voltar!


Centro Histórico de Paraty





Não conseguimos sair cedinho do nosso chalé em Araras (ele exercia uma enorme atração sobre nós kkkkk), e a distância entre Petrópolis e Paraty não é desprezível (280km) - assim chegamos apenas no fim de tarde a Paraty. Fizemos check in e tratamos de conhecer o Centro Histórico da cidade.



Paraty é outra cidade histórica do Rio de Janeiro, surgida da necessidade de um porto que levasse as riquezas brasileiras - primeiro os minérios preciosos, depois o café - para a Europa. Foi a partir de Paraty que surgiu o primeiro trecho da Estrada Real, cujo principal objetivo era justamente levar o ouro e pedras preciosas das Minas Gerais - especialmente Ouro Preto - para o porto de Paraty.

A arquitetura colonial, os casarios coloridos, as igrejas, as ruelas inundadas na maré alta, são realmente encantadores. Com o crescimento do turismo, surgiram muitos restaurantes, barzinhos, hostels, pousadas, agencias de turismo, e claro, gente do mundo todo. O clima é delicioso. Tudo isso de frente para o mar, onde dezenas de barquinhos descansam.

É importante dizer que, embora sejam mais planas, as ruas de Paraty são ainda mais difíceis de andar que as ruas do Pelourinho, ou Olinda, ou Ouro Preto. Chamadas de "pé de moleque", as pedras são super desalinhadas, e andar nelas requer muita atenção. Além disso, o sistema de inundação das ruas mais próximas ao mar deu a elas um formato côncavo, com a parte central mais baixa. 

Resumindo, acredite no que a maioria das pessoas escreve sobre Paraty, e escolha os calçados mais confortáveis que conseguir, e realmente esqueça os saltos, por menores que sejam. Estando lá, aproveite as pedras mais planas do meio das ruas para andar, e aprecie o visual - o centro de Paraty é daqueles lugares encantados, cheio de segredos a serem descobertos.



Sobre o alagamento de suas ruas, estas foram projetadas para a cada maré alta o mar invadir as ruas (por aberturas feitas no calçadão) e inundá-las. O objetivo era limpar as ruas dos resíduos (esgoto) das casas, além da sujeira dos animais que eram o principal meio de transporte à época, sendo tudo carregado para o mar quando a maré baixasse. Em várias ruas há pontes para que se possa atravessar de um lado para o outro sem se molhar.


Acho fantástico que tantos aspectos tenham sido preservados, e isso aconteceu principalmente porque a cidade não cresceu como aconteceu com as outras cidades históricas. Agora todo o centro está tombado pelo Patrimônio Histórico, e pelas suas ruas não podem passar carros, e nem uma pedra pode ser mudada de lugar.



De dia ou de noite, o melhor é caminhar e se perder por entre as ruas do centrinho.



Passeio de barco pelas ilhas de Paraty



Esse é o passeio tradicional de Paraty, e é ofertado por várias escunas que podem chegar a receber até 160 pessoas. Um passeio de barco com até 160 pessoas? Eu estava muito receosa de fazê-lo. Por outras experiência de passeios em barcos grandes e mais populares, sei que essa pode ser uma experiência bem ruim. Evitar passeios lotados era um dos motivos de querer estar em Paraty no meio da semana, mas como já disse no post anterior, acabamos tendo que ir no final de semana mesmo.

Tentamos contratar um barco menor (para 12 pessoas), mas ponderamos que o valor para nós 3 não justificava. Estávamos nessa dúvida quando, no restaurante que jantamos no primeiro dia, um garçom nos indicou uma escuna que, segundo ele, tinha um serviço diferenciado, e naquele mesmo dia tinha saído com aproximadamente 15 pessoas. Estávamos no final de junho, e a alta estação ainda não tinha chegado, então achamos que valeria a pena arriscar.



Foi a melhor coisa que fizemos. O passeio na Escuna Banzay realmente me surpreendeu. Eles oferecem dois tipos de passeios: o mais tradicional, com paradas em quatro ilhas, e o que segue até o Saco do Mamaguá (eles dizem ser a única escuna que vai diariamente ao Saco do Mamaguá).


Compramos o passeio completo no escritório da Banzay, e a embarcação nos esperava no final do cais. O horário de saída é 11h, e custa 63 reais adulto (até 10 anos paga meia, e até 5 anos é gratuito). Era um sábado, e vimos a saída da escuna do outro passeio deles (o mais curto) e o de uma outra empresa, e embora o nosso barco não tivesse tão vazio quanto gostaríamos, tinha muito menos pessoas que esses outros.

Bom, tive que morder a língua sobre esse tipo de passeio. Foi muito melhor do que eu esperava, e foi a melhor experiência que já tive com passeios contratados para muitas pessoas aqui no Brasil! Não sei como teria sido se fosse alta estação, certamente com 160 pessoas a bordo minha satisfação cairia consideravelmente, mas naquele dia foi perfeito.


Ficamos no convés, acomodados nos colchonetes e almofadas, onde tinha bem pouca gente. A embarcação conta com uma cozinha, e são ofertados petiscos e refeições, além das bebidas, não havendo assim a super comum “parada para o almoço”, o que achei ótimo. As ilhas que paramos, em sua maioria, tinham pouco ou nada de estrutura de barracas e restaurantes, e muito de belezas naturais. No meio da tarde, são servidas frutas da estação inclusas no valor do passeio: banana, maçã, tangerina e melancia.





Mas o que mais me preocupava era a trilha sonora... as pessoas perderam a noção de bom senso em muitos passeios turísticos, e sons estridentes e de péssimo gosto tem sido constante em passeios assim. Outro dia li um relato de minha amiga Cláudia Rodrigues sobre um episódio que ela viveu com a família em Arraial do Cabo, quando estavam na praia de Pontal do Atalaia e de repente a praia foi invadida por dezenas de escunas e barcos abarrotados de gente e que tocavam no último volume todos os funks atuais. Se já é mega desagradável estando na praia, onde se pode simplesmente levantar e ir embora (foi o que eles fizeram), imagina estando dentro de uma escuna no meio do mar?!?!?!

E não se trata de uma crítica ao funk. Sou uma cearense/baiana que gosta de forró e axé, mas acho extremamente desagradável passeios com sons estridentes nesses ritmos também. Tem passeios que as pessoas sequer conseguem conversar! Poxa, isso não faz o menor sentido. 



Mas bem, no passeio que fizemos, o som era ao vivo, voz e violão, num volume totalmente agradável, e com um repertório pop rock nacional e internacional bem legal. Claro que não tenho nada contra os ritmos locais, que aliás, é uma das atrações de qualquer viagem, mas em um passeio que a temática é o contato com a natureza, nada mais lógico que músicas de aceitação mais ampla, né? Não sei se todos os passeios deles são assim, mas olha, achei um belo diferencial.

Outra coisa que adorei foi o serviço de fotografia. Mais uma coisa para eu morder a língua! Raramente pago por esses serviços de foto e vídeo em passeios. Tem que ser algo que seria praticamente impossível registrar, ou que o resultado realmente me surpreenda muito – e mesmo assim já me arrependi de uns que adquirimos. É que geralmente a coisa é pasteurizada demais, e cara demais. Bom, mas o serviço deles é personalizado, a fotógrafa que nos acompanhou – Gorete – é uma simpatia, fez um trabalho excelente e o valor foi ok. As fotos foram enviadas por email – apenas as nossas – mas há a opção de pegar na empresa em CD. Eu adorei o resultado, principalmente porque ela conseguiu a proeza de fazer vários clicks maravilhosos da minha pré-aborrecente...


créditos: Gorete/Prisma Fotografias
créditos: Gorete/Prisma Fotografias
créditos: Gorete/Prisma Fotografias
Eles vão mostrando as várias ilhas da região e param em algumas, além de uma praia no Saco do Mamaguá. Também há paradas para banho, mas a água gelada não me animou. Ah, sou nordestina, criada em mar de água morna, só encaro água gelada se for de cachoeira, e olhe lá! Mas marido e filha, que têm couro de sapo, representaram muito bem a família. O dia estava lindo, com o céu de um azul magnífico. Foi um passeio realmente maravilhoso. 





No Saco do Mamaguá, a escuna só chega até a entrada do fiorde (o único brasileiro – uma entrada de mar entre morros), mas vale muito a pena. O lugar é lindo e como só eles chegam lá, a praia estava deserta.






Voltamos no por do sol, cansado e muito felizes. Mas antes de chegarmos ao cais, passando perto de uma ilha, uma surpresa linda nos aguardava: um grupo grande de golfinhos passou enfileirado a alguns metros do barco. Que coisa mais linda são esses animais! Eu sou uma boba com animais em seu habitat natural, simplesmente babo e me derreto, e quanto mais os vejo assim, livres, menos me animo a visita-los trancafiados em jaulas de zoológicos. As fotos não ficaram tão boas, mas as imagens daquele momento ficaram guardadas na retina. Eram muitos e eram fofos demais...




Trindade


Foi um sofrimento escolher o que fazer no segundo dia em Paraty. Queria ir à Paraty Mirim, à Cunha, fazer trilhas, fazer outro passeio de barco... daria tudo por mais uns dias na cidade. No final das contas, optamos por passar o dia em Trindade, e acho que foi uma ótima escolha - e ficam ótimos motivos para voltar à região.

Trindade fica a cerca de 25km de Paraty, descendo a BR-101, e é muito fácil chegar lá. Você tem que sair da 101 numa rotatória e acessar à esquerda a Estrada de Trindade, cheia de curvas e ladeiras. São várias praias, e a estrada te levará à praia do Cepilho, onde vão te oferecer estacionamento. Só pare ali se quiser ficar lá ou ir à praia Brava e demais praias que ficam à esquerda. Se quiser ir à Caixa d’aço, como nós, continue de carro à direita, passando sobre um riachinho, até chegar ao centrinho de Trindade. 

O lugar é pequeno, mas bastante turístico, e me chamou atenção que os carros passassem em alta velocidade pelas ruas estreitas. Poderia ser um paraíso escondido, mas me passou a ideia de já ter virado um destino saturado pelo turismo. Bom, apenas passamos por lá, posso ter tido uma percepção equivocada.



Seguindo a rua principal e virando a esquerda, se chega em um estacionamento amplo e rústico, esse sim o último que se tem permissão para chegar. Deixamos o carro ali e seguimos a pé, passando pelas praias do Rancho, do Meio e de Caixa d’aço, às vezes pela areia, às vezes em trilhas na mata. A trilha não é das mais fáceis, mas também não requer grandes habilidades, com cuidado e paciência é acessível a qualquer pessoa. Novamente o dia estava lindo, e os visuais encantadores.






Em todas essas praias o mar é aberto e com ondas, mas nosso destino era as piscinas naturais de Caixa d’aço, uma formação de pedras que isola uma área protegida das ondas. Que lugar lindo, uma bela recompensa depois da caminhada! 







O problema é que a maré estava alta, começando a baixar naquele momento, e a água não estava transparente como vi nas fotos. Bom, era uma escolha difícil. Estava assim, mas estava bem vazio. Quando a maré começou a baixar realmente, o lugar começou a encher, e encher de gente, e então pegamos nossa mochila e fomos embora.



Acho que a melhor dica é ir na baixa estação, durante a semana, e olhar a tábua de maré para pegar a mais baixa possível. Se não for possível ir na baixa estação, a melhor opção é ir o mais cedo possível, para escapar das ordas de turistas... Quando fomos não era ainda alta estação, mas já estava bem perto das férias de meio de ano da maior parte do país, e era um domingo, ou seja, não tinha como estar muito tranquilo. Por isso acho que fizemos a melhor escolha, já que conseguimos curtir as piscinas antes delas ficarem cheias.




Na volta, paramos na única barraca que havia na praia de Caixa d'aço para uma caipirinha com cachaça local e mais um mergulho da filhota. A barraca Casa Caiçara é super fofa e o atendimento é ótimo, mas cobra por isso - não é a toa que só a nossa mesa estava ocupada. Valeu pela delícia daquele momento, mas não sei se pararia lá novamente. Na praia do Meio há muitas barracas, e estavam bem cheias, naquela pegada de domingo de praia. Pode ser uma boa opção, mas também não pararia lá. Antes que o dia terminasse, preferimos seguir para a Praia do Sono.



Praia do Sono



Já tinha lido em alguns lugares sobre a praia do Sono e como chegar lá, e preferimos apostar nela. Saindo de Trindade a caminho da BR-101, você verá à direita a sinalização para acessar o condomínio Laranjeiras de onde partem as embarcações para a Praia do Sono.

É possível acessar a praia do Sono também por uma trilha que sai um pouco depois da entrada do condomínio, na vila do Oratório, que parece ser muito bonita, e passa por uma cachoeira. Essa certamente seria minha opção se já não estivesse tão tarde e o risco de fazer a trilha de volta a noite não fosse tão alto. Também é possível pegar embarcações de Trindade, e até do cais de Paraty, mas certamente é muito mais tranquilo e rápido sair do condomínio Laranjeiras, se sua opção é por barco.


O condomínio, enorme e com casas lindas, não permite que se acesse com carro próprio o pier de onde saem os barcos, mas oferece um serviço de transporte em kombis que levam e trazem as pessoas. Assim, você passa em frente a entrada do condomínio e segue até um largo, no vilarejo, onde tem uma escola, um campo de futebol, e o ponto de parada da kombi. Esperamos ali e quando ela chegou não havia certeza se ainda sairiam barcos naquele dia. Tivemos que esperar o motorista da kombi ir e voltar com a resposta. Ele voltou com Marquinhos, o barqueiro. Acertamos tudo com ele, entramos na kombi e fomos embora.






Foi um passeio maravilhoso, e fiquei muita agradecida de termos insistido em ir. Marquinhos cobrou 100 reais para nos levar, esperar e nos trazer de volta, e foi uma simpatia o tempo todo. O trajeto de barco é curto, e muito lindo. Quando chegamos à praia, esta estava praticamente deserta, e foi nossa alegria.








Marquinhos nos sugeriu a barraca de sua prima, e seguimos sua indicação. Gente, foi a melhor isca de peixe que já comemos na vida! Sério! Isca de peixe de peixe fresco, feitinha na hora - imaginou? Pois é! Numa barraca aconchegante, vazia e com um visual de cair o queixo - e com preços muito melhores que os da barraca de Caixa d'aço. Fiquei apaixonada, por tudo. Ah, Marquinhos tem uma casa na praia do Sono que ele aluga por temporada. Advinha como estamos planejando a nossa próxima ida a Paraty???






Marquinhos nos sugeriu a barraca de sua prima, e seguimos sua indicação. Gente, foi a melhor isca de peixe que já comemos na vida! Sério! Isca de peixe de peixe fresco, feitinha na hora - imaginou? Pois é! Numa barraca aconchegante, vazia e com um visual de cair o queixo - e com preços muito melhores que os da barraca de Caixa d'aço. Fiquei apaixonada, por tudo. Ah, Marquinhos tem uma casa na praia do Sono que ele aluga por temporada. Advinha como estamos planejando a nossa próxima ida a Paraty???




Já era a nossa despedida de Paraty, e foi mesmo muito especial. Espero que um dia possa voltar com muito mais calma a essa região e destinar pelo menos duas noites à praia do Sono.


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